Momento Terapia: Os homens estão mais vaidosos?

Quando pensamos em vaidade, na maioria das vezes, é a imagem de uma mulher exuberante, preocupada e dedicada aos cuidados estéticos, que nos vem à cabeça. Por muito tempo, o campo da estética e cuidados de beleza, ficou a cargo das mulheres. Mas, felizmente esse cenário está mudando e os homens têm aprendido que, investir tempo e dinheiro em cuidados com a aparência e bem-estar, pode proporcionar um enorme ganho para a sua saúde (física e emocional), vida social e profissional, além de fortalecer a sua autoestima, segurança dentre outros benefícios.

A construção desse novo cenário, traz, não apenas reflexões a cerca de um novo padrão de comportamento masculino, mas movimenta, e muito, uma nova cadeia de consumo.

De acordo com um estudo realizado pela consultoria Nielsen, constatou-se que, no ano de 2015, a população masculina brasileira foi a responsável pelo consumo de 35% de produtos de higiene e beleza. Estima-se um crescimento de 7,1% até 2019, o que tornaria o Brasil, o maior mercado consumidor masculino do mundo.

Porém, esse fenômeno não surgiu de uma hora para outra. Muito falamos sobre as mudanças e novos papeis femininos ao longo das décadas, mas nos esquecemos ou pouco repercutimos, até então, as transformações sociais e históricas que também afetam o universo masculino.

Acredito que termo metrossexual, é o mais relevante, dos últimos tempos, quando pensamos nessas transformações estéticas, sociais e históricas do universo masculino. O termo foi utilizado pela primeira vez em 1994 pelo jornalista Mark Simpson, no artigo “Here come the mirror men“ (Aí vêm os homens do espelho) para o jornal inglês The Independent. No artigo, Mark previa um novo tipo de gênero masculino surgindo nas grandes cidades, o heterossexual metropolitano.

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Assim, ser um metrossexual não tem conotação direta com a orientação sexual, é apenas um conceito para definir o consumidor masculino que, valoriza e investe na vaidade, simples assim. A definição do termo e a sua exploração pelos meios de informação e entretenimento colaborou para que muitos homens assumissem suas vaidades pessoais, ao tratar do embelezamento corpóreo e deixar aflorar a sensibilidade, sem serem classificados ou julgados pejorativamente.

O homem metrossexual é um heterossexual que conhece e se importa com a moda, a gastronomia, a aparência e a elegância. E cá entre nós, isso não é tudo de bom?

Precisamos compreender que o corpo tem tomado, cada vez mais, um lugar de importância no nosso cotidiano e o nosso imaginário. Trazendo questões como as alterações corporais através de: intervenções cirúrgicas, exercícios físicos, tratamentos estéticos, tatuagens etc., para a pauta de discussão de diversos meios – médico, farmacêutico, esportivo, artístico etc. – Assim, podemos perceber que a imagem corporal contemporânea se impregna das diversas e constantes transformações biotecnológicas e socioculturais. Isso vale para mulheres e homens!

Percebemos com isso que, os homens passam a integrar o mesmo “clube” o qual nós mulheres, somos “sócias” há bastante tempo, o da cobrança, apelo e valorização estética, corporal e comportamental. E como tudo na vida isso tem um lado positivo e negativo.

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É benéfico pois, cuidar da pele, do cabelo e da barba, fazer ginástica, cuidar da alimentação e outras tarefas do cotidiano desse sujeito metropolitano não o classifica mais de maneira pejorativa, ao contrário, é valorizado. Além de contribui para a melhoria de sua saúde física e emocional, como falei inicialmente.

O lado negativo é a hipervalorização dessas características que pode levar a uma cobrança desnecessária gerando estados de angústia e ansiedade pela necessidade de enquadramento nesse padrão. Algo que nós mulheres conhecemos bem e temos tentado combater nos últimos tempos.

A graça de tudo isso é um mundo mais democrático, onde todos tenham a liberdade para ser quem são. Acho maravilhoso o homem contemporâneo perceber que não precisa ser desleixado para afirmar a masculinidade!

E outro dado interessantíssimo, que vale a pena ser ressaltado, é o de que essa transformação que surge com um apelo mais estético, afeta diretamente o comportamento e ajuda na reconstrução ou cria um novo enquadro nos papéis sociais. O homem “vaidoso” atual se distancia muito do referencial “macho latino”. Partilhar tarefas e funções que antigamente eram do universo feminino, não é mais um problema para ele. Cuidar das crianças, ajudar nas tarefas da casa não ameaçam de forma alguma sua masculinidade, ao contrário, isso é muito positivo e valorizado e não gera mais especulações ou preconceitos.

Olho para esse movimento, como uma importante conquista masculina, pois estão “autorizados” a cuidar de si próprios (no sentido subjetivo e prático do termo cuidar); expressar seus desejos de consumo além da cerveja e carrões; pensar na prática esportiva além do futebol e churrasco com os amigos; cuidar da aparência além dos padrões de higiene; demonstrar suas fragilidades com menos culpas e receios e por aí vai.

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Com isso ganhamos todos, ganham as nossas relações. E isso não é maravilhoso, meninas!

Porém, há quem torça o nariz para esse momento todo, acha exagerado, desnecessário, supérfluo, tudo bem, como falei podemos viver um mundo democrático e essa é a graça. O importante é ter em mente de que os extremos são sempre muito perigosos, para homens e mulheres. A ditadura da beleza não poupa ninguém e é cruel, fato! Mas, com moderação e equilíbrio é possível fazer um excelente uso do arsenal disponível, para homens e mulheres, para uma vida mais leve, saudável e feliz.    

 

Marleide Rocha

Marleide Rocha

Marleide Rocha, psicóloga (CRP 95323), é especialista no tratamento da Obesidade, membro da Sociedade Brasileira de Coaching e da European Network for Positive Psychology e da APPAL – Associação de Psicologia Positiva da América Latina. Nossa colunista escreve aos sábados no Comethica. Acompanhe-a no www.marleiderochapsicologia.com.br.

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